sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Eles e nós segundo Hollywood

Dezesseis deles desceriam do Boeing em Galeão e dirigiriam-se, entusiasmados, até a ponte de desembarque, com máquinas em punho e a observar o Pão de Açúcar pronunciando-se no horizonte. Adentrariam o terminal de passageiros, no qual seriam recebidos por mulheres em uniformes coloridos - e curtos - dizendo "Bienvenidos a el Río, amigos!", e seriam então localizados por um guia turístico com feições latinas, chapéu panamá e camisa de cores tropicais. Seguiriam-lhe até a saída, antes da qual fariam uma parada em uma cafeteria. Lá, tomariam caipirinhas e fechariam a conta com uma provada do famoso "café brasileño" - como diria o guia, enquanto se recostasse desleixadamente na cadeira e sorrisse para todo mundo.
        Sairiam do aeroporto já perto o suficiente de Ipanema para poder ver as moças de corpo dourado que por ali estariam passando, e tomariam então o ônibus aberto da companhia turística em direção à orla. O guia falaria das belezas naturais da cidade - em inglês, embora com um sotaque latino acentuadíssimo - e algum deles levaria uma bolada na cara de uns garotos que estariam improvisando uma pelada no meio da rua. Não ligariam, sorririam de volta, algum talvez descesse e arriscasse uma cobrança de pênalti - e a viagem seguiria, na maior tranquilidade, pois aquilo seria nada mais que a rotina.
        Enquanto penetrassem a massa de pessoas em trajes carnavalescos que estariam sambando também no meio da rua ao som de um samba ambiente que dispensaria origem física, tirariam fotos de tudo, da massa que estariam penetrando ao horizonte sem nuvens de Copacabana, da praia onde meninas que viriam e passariam estariam de topless, rindo à beça com seus óculos escuros e chapelões artesanais, à calçada larguérrima e perfeitamente limpa pintada com um alegre padrão geométrico. Chegariam logo ao hotel, com vista para o mar castamente azul, e lá não fariam nada senão largar as malas e correr de volta para o ônibus.
      Fariam como primeira parada uma visita à terceira maravilha do mundo, ao redor da qual bateriam uma série de fotos em que imitariam sua famosa pose de T minúsculo. Fariam uma pausa para contemplar a vista da cidade - mais de 80% da porção interior dela seria ocupada por mata virgem (um pedaço da Floresta Amazônica, explicaria o guia), bem para dentro da qual talvez fosse possível ver uma pirâmide maia ou duas. Dali eles desceriam eufóricos - de bonde, claro - e dirigiriam-se de imediato à famosa borda do continente que por ali se incluía. Lá, seriam contagiados por um clima upbeat de festa integral, pessoas cantando e dançando, iguarias sem par, um oceano convidativo e talvez até pássaros coloridos voando soltos, e alguns provavelmente arrumariam companhia para a noite que se anunciaria sem pressa - estamos, afinal de contas, no Brasil.
      De volta ao hotel, os desocupados seriam avisados que a Sapucaí estaria sendo agitada pelo Carnaval semanal. Eles rapidamente se juntariam à comitiva de uma escola de samba - a Unidos da Tijuca, por exemplo - e sairiam dançando por aí como em seus sonhos mais, digamos, potencialmente turísticos. Voltariam, finalmente, ao hotel, e ali dormiriam. No dia seguinte, um tour incluso no pacote pelo pedaço da Amazônia, com seu patrimônio histórico, sua fauna exótica, seus índios.
      Seguiriam na mesma toada até o fim do dia, da semana; até, enfim, expirar o pacote e eles estarem de volta a Galeão, ouvindo ressoar as folclóricas palavras "Última. Chamada. Voo. Um. Sete. Dois. Para. Nova. York. Portão. Quatro.". Isso, é claro, fosse este um cenário mundano: sendo este um cenário hollywoodiano, eles simplesmente iriam de lancha, você sabe, e conforme o barco se aproximasse do horizonte e se distanciasse de nós, projetariam-se na nossa frente, cobertas de glória, as palavras "The End".

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Escola católica

Era de fato um colégio fora dos padrões comuns às demais instituições; para nós, seus alunos de mais longa data, tratava-se de uma ilha no oceano pedagogo-burocrático de Vértices, Etapas, Bandeirantes e Objetivos. Talvez por ser uma escola católica, ou talvez apenas por ser um colégio mais indie, digamos, em meio a tantos sistemas de ensino consagrados e propagandeados nos veículos de comunicação, era mais do que isso: atrás de suas incontáveis paredes, nós estávamos abrigados dos problemas reais, do ensino privado real, daquilo que tanto falavam os adultos e do melhor desempenho no Enem confirmado pelo MEC de que se gabavam, incansavelmente, seus afamados concorrentes.
        Também talvez por ser uma escola católica, estava sempre comemorando alguma coisa, fosse a Páscoa ou o aniversário da beata que inspirou o nome gravado nas fachadas, fosse o Natal ou a primeira comunhão das crianças da catequese. Havia, apropriadamente, um auditório, no qual nós, os alunos do curso opcional de teatro, subíamos anualmente sob a tutela de um professor notoriamente querido por todos - mais querido, até, e por grande margem, do que as irredutíveis e antipáticas senhoras de autoridade ambígua (freiras? pedagogas? empresárias?) que tocavam tudo. A Irmã S., em particular, era inacessível. Quando muito, nos lançava um olhar amedrontador ao topar conosco nos corredores.
        Nossos professores, nos anos dourados do Ensino Fundamental I, eram polivalentes, e sempre tinham dois cromossomos X. (Todas, sem exceções, tinham o cabelo cor de caramelo.) No começo, eram nossas mães das 7h10 às 11h35; gradualmente, o complexo se dissolveu e elas envelheceram, já nos preparando para a desgraça que seria a troca constante de rostos em frente à lousa nos anos que se seguiriam. Fazíamos uso de uma agenda com certa frequência; não havia horários para as aulas e tudo fazia sentido na medida em que a professora o dissesse. Tudo era mais simples, embora as provas - lá conhecidas pelo nome de salão "avaliações" - fossem quase semanais.
        A definição formal nos folhetos era a de uma escola sem fins lucrativos, embora ela não a fosse, como nossos pais viriam a perceber com o passar do tempo. Não importava: se tivéssemos que pagar para entrar em uma festa junina na qual nós mesmos iríamos apresentar coreografias, que assim fosse; se tivéssemos que nos contentar com 5% de desconto conseguidos na base do choro, que assim fosse; se tivéssemos que comprar livros de Ensino Religioso para aprender basicamente os fundamentos e pregações do catolicismo, que assim fosse. Os adultos é que se preocupassem com as finanças, nós só queríamos estar ali e continuar ali até que não desse mais.
        Naquela escola, em que nas matérias reinava o politicamente correto e fora delas a ausência de questionamentos por nossa parte, transcorreram os quatro últimos anos da minha infância propriamente dita. Se ainda bate às vezes uma nostalgia ao me lembrar do curso opcional de teatro, da sala de artes, da nossa ignorância em relação aos horários e do caráter indie das aulas, deve ser porque a adolescência ainda não deu aquele último golpe que, dizem os mais velhos, deve me desconectar da minha fase Ensino Fundamental I, e, assim, deixar entrar aquilo que eu vou acabar contemplando como a melhor fase da minha vida - mesmo ela já tendo, estranhamente, me feito mergulhar no tal oceano pedagogo-burocrático e me matricular no Objetivo, que, para a minha sorte, teve o melhor desempenho no Enem confirmado pelo MEC.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Colchão no recinto

Estávamos nós sentados no sofá como é de praxe, ouvindo a Fátima agradecer pelo apoio dos telespectadores nesses 14 anos de Jornal Nacional, nos preparando para adentrar a noite assistindo televisão, quando notei, silenciosamente, que ele continuava lá - talvez nunca tivesse ficado ali por tanto tempo, na verdade, e eu sabia que a sua remoção era iminente, mas ele continuava lá, firme e forte, a ignorar nossas pisadas e nossas tentativas de nos mantermos confortáveis a despeito de ele estar bloqueando os descansos para os pés.
        Nós o colocamos lá no sábado, para viabilizar nosso pernoite deslocado enquanto visitas ocupavam o nosso quarto. Sobre ele dormimos, sobre ele acordamos e sobre ele nos mantivemos por todo o tempo em que estivemos a jogar videogame ou assistir o primeiro Senhor dos Anéis no dia seguinte: conforme íamos nos acostumando à ideia de tirar os chinelos para adentrar a sala de tevê, ele ia se infiltrando na nossa rotina, nos fazendo remir pacientemente seus contras de ordem prática, nos conquistando através de seu amortecimento e da possibilidade de se deitar no meio da sala, adaptando-se à paisagem com seu lençol tabaco. As visitas se foram no final do dia e ele continuou lá, apesar de tudo; um par de cidadãos que lá se deitara para ver TV por lá ficou durante a madrugada, e ele aproveitou para prolongar sua permanência por mais uma noite, mais uma tarde, mais vinte e quatro horas.
        Nada passageiro resistiria à rotina em situações normais; decorações de Natal se desfazem, aglomerações de fungos se desfazem, pilhas de livros organizadas por cor e tamanho se desfazem, sonhos se desfazem, mas o colchão persistia, o colchão continuava deitado sobre o tapete da sala, perseverante e inabalável, atestando que aquela não era uma situação normal, que ele estava acima da rotina, que a vida poderia ser tão divertida quanto um pernoite deslocado e que se quiséssemos nos deitar no meio da sala, havia de ser tudo da lei. O colchão que então eu esperava que os demais presentes ignorassem era um refúgio, uma revolta contra a rotina, um acréscimo de humanidade ao ato de assistir televisão e ao fluxo ininterrupto e inclemente da vida. Enquanto houvesse um colchão no recinto, haveria o que fazer além do que eu já fazia havia treze anos e meio, haveria a possibilidade de se deitar no meio da sala, haveria esperança de um futuro mais livre da rotina e haveria um amortecimento para eventuais quedas de objetos.
        No entanto, hoje à tarde voltamos para casa e nos deparamos com uma sala de estar vazia. Sem que eu tivesse tido a oportunidade de agir, o colchão e tudo o que ele significava em minha vida haviam sido engolidos pela rotina. Tudo voltou ao que era antes daquele fatídico sábado em um estalo; agora, nós podemos usar os descansos para os pés.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Os 87%

Imagino que o leitor adepto do brasão corintiano, nos intervalos em que não está nas ruas a berrar a plenos pulmões as razões genéricas pelas quais daria a própria vida por uma organização esportiva, considere-se uma maioria consolidada e indiscutível no Brasil no campo das relações futebolísticas torcedor-time. Doravante, porém, recomendo-lhe que revise esta ideia, pois ela não poderia estar mais incorreta.
        É um fato datafolhado que 13% dos torcedores no Brasil são corintianos, o que os torna a segunda maior torcida do país (e, a julgar pela situação da minha rua no período das 17h às 19h de ontem, a mais barulhenta). É um fato não-datafolhado, mas do conhecimento da população em geral, que esses 13% não hesitam em gabar-se desta estatística quando comparações entre os escudos vêm à tona. Mas um fato elementar ao qual os corintianos aparentam ser cegos é que, no que diz respeito ao Corinthians, os torcedores não se dividem em corintianos, gremistas, são-paulinos, palmeirenses: eles se dividem em corintianos e anti-corintianos.
        A situação deles é semelhante à dos EUA, que são ao mesmo tempo amados incondicionalmente por seus patrióticos habitantes e odiados por virtualmente todo o terceiro mundo. O Corinthians, como o leitor não-corintiano bem sabe e o leitor corintiano finge não saber, é possivelmente o time mais odiado do Brasil: se 13% da população assume sem ter vergonha seu corintianismo muitas vezes doentio, os outros 87% da população assumem seu anti-corintianismo muitas vezes doentio sem menor segurança.
        Veja um exemplo: faltam quatro dias para a decisão do campeonato. O assunto, claro, é pauta das discussões casuais entre os 29 alunos de uma turma do 8º ano de São Paulo (que, por coincidência, é onde a maior parte desses 13% se concentram). 4 desses alunos se assumem corintianos (o que, se você fizer as contas, equivale a 13%). Entre os demais, um consenso: Corinthians must not win, parafraseando Zelda. Todos sabem que seus respectivos times já não têm chances de vitória ou grandes conquistas; a reação imediata a essa constatação é torcer contra o Corinthians, com todas as forças que encontrarem, pois é assim que a torcida brasileira funciona.
        Seja este ódio coletivo derivado dos problemas comportamentais de muitos corintianos, dos argumentos repetitivos usados por eles quando se fazem comparações entre os times, do fato de eles serem loucos assumidos ou da dificuldade em obter paz e sossego no período das 17h às 19h de domingo em ruas que, como a minha, são apinhadas de exemplares desses 13%, o fato é que todo mundo odeia o Corinthians, tanto quanto ou mais que ama o próprio time. E a decisão de última hora do Campeonato Brasileiro de 2011 não serviu para evidenciar a maioria absoluta da torcida corintiana e de seus 20 e poucos milhões, mas para comprovar a sua esmagadora minoria em relação aos 166 milhões de brasileiros que por ela nutrem um ódio muitas vezes doentio. Nos dias que antecederam o confronto final e indireto Corinthians x Vasco, gremistas, são-paulinos e palmeirenses uniram-se por um inimigo em comum: os 20 e poucos milhões que se achavam maioria. Eram, então, 166 milhões de torcedores contra, 166 milhões de vascaínos, 166 milhões de corações batendo vacilantemente sob a expectativa de um resultado que alegraria a nação: o Corinthians perder e o Vasco ganhar.
        Apresentados os fatos, a gente imagina o quanto seria engraçado - e lógico - se uma multidão cercasse o Estádio do Pacaembu na tarde de ontem com placas dizendo "We are the 87%", à la Occupy Wall Street, e reivindicasse que os 13% baixassem um pouco a bola, porque - não adianta fingir que não - eles são minoria e se acham o contrário. Tivessem o Corinthians perdido e o Vasco ganhado, tudo que se seguisse seria melhor; a minha rua dormiria mais tranquila, o Faustão apresentaria a segunda parte de seu programa com um sorriso maior no rosto e o Sócrates ganharia uma menção póstuma mais digna na primeira página do Estadão.
        Mas o Corinthians empatou em 0 a 0 e o Brasil amanheceu mais triste. Tomara que pelo menos você tenha ficado feliz aí em cima, doutor.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O hífen

Eis mais uma prova de que o novo acordo ortográfico e os Jogos Pan-Americanos são uma combinação destruidora de lares:
        - E então?
        - Legal, filho.
        - Só isso?
        - Só, por quê?
        - Eu esperava que você dissesse mais alguma coisa.
        - Ah, o texto está bem escrito.
        - E?
        - E só.
        - Só?
        - Só. Você podia ter caprichado um pouquinho mais no layout.
        - Lei o quê?
        - Nada não.
        - Tá ok.
        - Ah, só mais uma coisa.
        - Hã.
        - Quadro de medalhas não tem hífen.
        - Como não?
        - Não tem, ué.
        - Tem sim.
        - Tem não.
        - Claro que tem. É m termo só, tem um significado único. Quadro, hífen, de, hífen, medalhas.
        - Não é não. Veja bem: "de medalhas" é adjunto. Não leva hífen.
        - Leva, sim. "Casa-grande" leva, como é que hífen pode não levar?
        - Por causa do "de".
        - Que diferença faz o "de"?
        - Torna composto, ou qualquer coisa assim.
        - Não importa. Adjunto é adjunto. A regra é a mesma.
        - Não, não é. Agora, com o novo acordo ortográfico...
        - Peraí. Isso é por causa do novo acordo ortográfico?
        - Não.
        - Perdeu o hífen?
        - Não...
        - Era como, antes? Tudo junto, "quadrodemedalhas"?
        - Não. Sempre foi separado e sem hífen.
        - Pois mudou, então. Agora tem hífen.
        - Nem é possível! Com o acordo, as coisas só perderam hífens.
        - Pai, quem você acha que sabe mais do acordo?
        - Hã?
        - Até outro dia, você achava que "sanguíneo" tivesse trema.
        - Aquilo foi um mal-entendido. Eu apenas...
        - Você me fez escrever "guarda-chuva" sem hífen uma vez. Eu não vou deixar isso se repetir.
        - Quando foi que eu falei pra você escrever "guarda-chuva" sem hífen?!
        - Ah, não lembro, mas que falou, falou.
        - Você está duvidando da minha competência ortográfica?
        - Sim, bastante.
        - Pois me dê este trabalho.
        - Pra quê? O que é isso?!
        - Isso é pra você aprender a não desafiar seu pai.
        - Você tá maluco? Rasgar meu trabalho! Feito a mão!
        - Não captou a mensagem? Meia quinzena sem McDonald's!
        - "Meia quinzena"?
        - Duas quinzenas!
        - Não é mais fácil falar "uma semana" ou "um mês"?
        - Tá se achando engraçado? Quatro quinzenas!
        - Por que não trinta e oito, logo?
        - Pois bem!
        - O quê?
        - Você que pediu!
        - O quê?
        - Não reclame.
        - O quê?
        - Baixou o vinil riscado, agora?
        - Vinil?
        - Pro seu quarto agora!
        - Por quê?
        - Pra você aprender a se comportar!
        - Trancado no quarto sem fazer nada? Ótimo, vou aprender mais que na escola!
        - Se não estiver gostando, eu paro de pagar e mando você para uma escola pública.
        - Que seja! Eu nem sei pra que eu preciso saber que rochas magmáticas são formadas pelo acúmulo de sedimentos!
        - É o contrário!
        Solta-se um palavrão.
        - Cuidado com a língua, menino!
        Outro palavrão.
        - Vai pro seu quarto!
        - Não!
        - Não?!
        - Não! Você está sendo teimoso!
        - Eeeu estou sendo teimoso?
        - Isso mesmo! Você não tá pensando direito! Você tá ficando louco! Você tá ficando insuportável! Você não é mais meu pai!
        - Não seja besta!
        - Você não manda em mim!
        - Chega!
        - Chega nada! Eu não sou mais seu filho!
        - Pois então... a recíproca é verdadeira!
        - O que raios isso significa?!
        - Eu é que não vou continuar pagando sua escola! Trate de procurar uma boa escola pública!
        - É ruim!
        - Ah, é, é?
        - Eu vou pro meu quarto!
        - Pois vai sair é deste apartamento e nunca mais põe os pés aqui!
        - Se a mamãe conseguiu, eu consigo!
        - Cale a boca!
        - Eu nunca mais vou sair do meu quarto!
        - Pois vai morrer de fome!
        - Melhor que de raiva!
        - Quem vai acabar morrendo de raiva sou eu!
        - Então morra, morra!
        - Perfeito!
        - Que bom!
        Vão cada um para um lado. Quase uma hora de silêncio se passa.
        - Pai.
        - Hã.
        - Eu dei uma olhada no Google, e...