quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Chapéus triangulares

Faz dois dias e pouco que eu descobri que meu sapato foi feito na China. Tolice minha esperar outra coisa; mesmo a possibilidade de ele ter sido feito no Taiwan ou na Malásia. Não havia outra possibilidade. Certas coisas, como papel e condimentos, até podem não ser fabricadas em algum ponto dos 9 milhões de quilômetros quadrados preenchidos por 1,3 bilhão de pessoas, mas é inevitável que leiamos, no rótulo de desde nossos aparatos eletrônicos a nossas roupas de marca, a já mítica frase "Made in China", ou, com variações, "Assembled in China" ou outra coisa parecida.
        Não há como não entregar-se aos fatos. Não é novidade para ninguém que o mundo está olhando para a China. No entanto, é mais do que isso. Pelo contrário; a China tem olhos em todos os lugares e ela, sim, está olhando para o mundo, enquanto nós pensamos que o país que está trabalhando a vapores para se colocar numa categoria acima de país emergente, se é que já não fez isso, está se contentando em apenas ser o centro das atenções. Eu não vou começar a falar de política internacional nem nada disso, mas eu não duvido que algum chinês esteja olhando o que eu estou fazendo agora mesmo.
        Bom, a China tem lá os seus motivos para ser o alvo dos holofotes atualmente. Pra começar: 18% da população do mundo está lá. É muita gente, e o território da China não é maior que o de países como Rússia e Canadá. Depois, são a segunda economia do mundo. Há uma série de outros motivos, que vão desde estatísticas que dizem respeito a condições de vida a aspectos econômicos, mas o que mais me assusta a respeito daquele país em particular é: Onde é que cabem tantas fábricas para a fabricação de produtos "Made in China"? Terão os chineses descoberto uma dobra espacial que os leva a um terreno infinito? Friso: Eu não duvido de nada. Não depois que assisti a cerimônia de abertura das Olimpíadas de dois anos e meio atrás (sim, eu ainda estou com isso na cabeça), o que me levou a pensar se a Inglaterra vai conseguir superar aquilo. A Inglaterra!
        Daqui a cem anos, a China provavelmente vai ter se tornado o centro do mundo. Todos os cursos de inglês terão de ser substituídos por outros, porque mandarim é a língua do futuro. E poucas pessoas no Brasil sabem sequer diferenciar o mandarim do japonês - ou pior, a China do Japão. Sim, eu já vi casos. Só mais uma das razões que me levam a desprezar estereótipos - como naqueles livrinhos infantis que falam da China como um monte de pessoinhas de olhinhos puxados que usam chapéus triangulares e quimonos vermelhos. Não me surpreenderei se acabar encontrando um livrinho que ilustre a China como uma miríade de bicicletas, produtos piratas, shoppings vertiginosos e proxys, em cuja capital residam um monte de engravatados apressados que atravessam aqueles cruzamentos horrorosamente grandes com uma pressa acima do normal. O que não deixa de ser um estereótipo, claro.

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