"Qual seria seu último desejo?". Quando alguém me fez essa pergunta alguns dias atrás, precisei pensar bem antes de responder. Um último desejo! Não é nada simples decidir. Muito mais que representar o último ato de nossas existências, o tal "último desejo" sintetiza, de certa forma, tudo o que quisemos em nossa vida. Os mais fúteis desejariam algo relativo a uma vontade passageira, é claro. Alguns fariam desejos mais profundos e simples, mais com cara de "síntese", mesmo. E eu? Bom, é difícil dizer.
Tirando os pensamentos pervertidos que invadem involuntariamente a cabeça da maioria das pessoas quando se faz uma pergunta dessas, a gama de opções é bem grande. Comer (um último sorvete, uma última fatia de pizza, uma última lasanha feita pela mãe, um último sushi, um último churrasco, um último marshmallow, um último ensopado, uma última salada de frutas, um último pão-de-queijo, um último cupcake, uma última melancia, um último quibe, uma última torta de limão, um último salgadinho, um último biscoito, uma última coxinha de frango com catupiry, um último iogurte, um último tablete de chocolate, ou provar caviar pela primeira vez), beber (um último suco de laranja, uma última coca-cola, uma última vitamina, um último chá, uma última cerveja, uma última taça de vinho, uma última caipirinha, um último copo d'água ou uma última xícara de café), divertir-se (um último capítulo da novela, uma última ida ao cinema, um último livro, uma última peça de teatro, uma última balada, uma última música, um último passeio no parque, uma última partida de videogame, um último jogo de pôquer, um último mergulho, uma última caminhada pela praia, um último gol), passar o tempo com pessoas (com a família, com os amigos, com o namorado, com os irmãos, com os avós, com a tia, com a esposa, com os filhos, com os netos, com os colegas, com os sócios, com os primos, com as pessoas necessitadas), festejar (um último Natal, um último aniversário, uma última Páscoa, um último dia dos namorados, um último Carnaval, um último Réveillon, um último dia de Ação de Graças), realizar sonhos (formar-se, voar de asadelta, dançar na chuva, visitar Paris, matar um inimigo, ir até o último andar do Burj Khalifa, ver o pôr-do-sol, conhecer um ídolo, ganhar o Prêmio Nobel, destruir um patrimônio nacional) e mesmo atos simbólicos (escrever um último texto, plantar uma árvore, enviar uma carta, twittar pela última vez, ligar para o número mais antigo da lista telefônica, gritar o nome no meio do shopping, doar todo o dinheiro para caridade, pintar o quarto, abraçar alguém, excluir a conta do Facebook) constam na imaginação de qualquer pessoa que se vê imaginando o que pediria com último desejo. Varia de acordo com a imaginação e as vontades de cada um. O ato final, se tivermos a oportunidade de controlá-lo, deve, de alguma forma, fechar todos os parênteses que deixamos abertos em nossas vidas. Mas como um único desejo resolveria todas as nossas dúvidas, as nossas ânsias, os nossos segredos e as nossas expectativas? Um único desejo!
Bom, e quanto a mim? O que eu pediria como meu último desejo? Sinceramente, não vejo mais de uma opção. Com tantas coisas a fazer, tantas vontades a satisfazer, o meu último desejo deveria possibilitar que eu fizesse tudo o que queria.
Bom, e quanto a mim? O que eu pediria como meu último desejo? Sinceramente, não vejo mais de uma opção. Com tantas coisas a fazer, tantas vontades a satisfazer, o meu último desejo deveria possibilitar que eu fizesse tudo o que queria.
Eu desejaria um último mês de vida. Isso resolveria os problemas.
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