segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Futurístico

Se algum dia este blog chegar a ser conhecido, talvez o mesmo não aconteça com esta postagem. A grande incógnita de escrever uma postagem de estreia é o famosíssimo desconhecido dilema do "Se ninguém vai ler o primeiro post, por que diabos eu devo empregar os meus 95% de transpiração nele?". A resposta tem muito mais a ver com o âmbito das satisfações pessoais do próprio autor do blog do que com a possibilidade de a postagem ser lida e admirada por pessoas. No confinamento de suas autocobranças viciosas e não raro autodestrutivas, um escritor - por mais insignificante que seja - exige de si mesmo que cada linha de cada mísero parágrafo saia o mais próximo da perfeição possível. Jamais haverá autor que se encontre realizado em sua existência sem ter corrigido-se duas, três, cem vezes em cada um de seus textos.
        Aplicando-se essa lógica em maiores proporções, conservar uma reles excelência em cada post de um blog talvez seja a correspondência mais ínfima desse princípio na era digital. Postar em um blog é como escrever um diário, só que público. E estrear um blog é como apresentar-se em uma reunião, só que privada. Enquanto os dedos de um blogueiro datilografam nervosamente as linhas de cada texto, a sua mente salpica-se de reflexões internas, ainda que das mais superficiais. No caso de uma crônica, essas reflexões são ainda mais profundas. Quando se dá partida em um blog, tais reflexões expandem-se em devaneios futurísticos e pensamentos semiconcretos sobre o porvir. Expectativas, dúvidas e planos são comprimidos no espaço de uma postagem. O resultado é um texto de estreia.
        Se você tiver lido até aqui, é possível que esteja se perguntando o porquê de eu dar estas explicações sem fazer eu mesmo uma introdução ao blog. Bom, se você tiver lido até aqui, já deve ter entendido que esta introdução já está feita. Afinal de contas, o propósito de um texto de abertura não é apresentar o blog? Pois bem. O texto está aí; interprete-o como quiser.

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