sábado, 19 de fevereiro de 2011

Mari

Mariana é diferente de todas as outras. Mais elegante que Madalena, mais vibrante que Sônia, mais simpática que Olímpia, mais bonita que Maria. Mariana tem mil caras, mas é absolutamente única. Mariana é tão alegre, divertida e gentil que não se pode não gostar dela. Mariana é de tudo um pouco, sem deixar de ser ela mesma em todos os momentos. Mariana ama a música, o cinema e todas as artes em que se possa pensar. Mariana é radiante pelas manhãs e charmosa ao cair da noite. Mariana é muda, mas sabe falar como nenhuma outra. Mariana expressa-se por seus próprios meios.
        Refiro-me, é claro, à Vila Mariana. Só um paulistano saberia o que eu estou querendo dizer. Sim, sou paulistano, e não moraria por nada em outra cidade no Brasil. Poderia listar os motivos, mas essa não é a razão pela qual eu digito estas linhas.
        A Vila Mariana, para os que não a conhecem, é um bairro. Mais que isso, é um distrito. Mais que isso, é uma subprefeitura. Mais que isso, é um universo. Para os artistas, ela é um museu a céu aberto. Para os arquitetos, ela é uma obra viva. Para os amantes de pizza, ela é o Nirvana. Para mim, ela é um universo. Ponto. Como é possível negar isso? Como é possível não acreditar na existência de planetas ao avistar a linha do horizonte da Rubem Berta? Como é plausível não crer na presença de sistemas solares ao desbravar os bairros que circundam o parque? Como não detectar buracos negros ao aproximar-se da Sena Madureira? Como não dar pela presença de extraterrestres ao sair para jantar?
        Embora a maioria das pessoas que tenham lido até aqui possa muito bem discordar de mim, a Vila Mariana é o mais inigualável dos bairros da cidade. Não tanto pela satisfação de seus moradores, ou pelos números, mas pelo organismo que se forma com a junção de suas avenidas, pelo sangue que corre de noite com os faróis dos carros presos no trânsito da 23 de Maio, pelo charme individual representado por avenidas imponentes como a República do Líbano e por ruas menos conhecidas como a Botucatu, pelas árvores compactadas da Praça Manuel Vaz de Toledo e pelas árvores com plaquinhas do Parque Ibirapuera.
        A possibilidade de render-se à atmosfera causada pelas luzes de rua amarelas, a existência de museus e teatros de tantos em tantos quarteirões, a infinitude de casas misturadas a incontáveis prédios residenciais, as pizzarias, as pessoas, a fauna urbana de cães, gatos e taturanas, as praças ao longo das avenidas, a Praça das Esculturas, o Sesc, a localização em uma região com o peculiar nome de centro-sul, a mistura do Jardim Paulista com a Saúde, o IDH e o Túnel Ayrton Senna são insignificantes nas primeiras vezes em que temos contato com eles, mas adquirem um significado incomensurável conforme o tempo passa. Pequenas coisas, acima de tudo, fazem com que a Vila Mariana seja... a Vila Mariana. Simples assim.
        Eu não moro na Vila Mariana, e não moraria lá nem em um milhão de anos. Dizem que, quando nos acostumamos a uma coisa, ela perde seu encanto.

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