Estou esperando um e-mail que não chega. Nada de muito novo. Faz mais ou menos três semanas que eu recebi uma promessa de contato e nada ainda. Sem entrar em detalhes, é torturante. Dar uma olhada na caixa de entrada de vinte em vinte minutos, entusiasmar-se cada vez que o telefone toca, e tudo isso para nada. Muitos entendem pelo que eu estou passando. Agonizo por cada espiada no Inbox sem resultados, e não há nada que ampare meu sofrimento. É um sofrimento pequeno, não deixa de ser verdade, mas é insistente.
Aquele ao qual me refiro nesse texto provavelmente não o lerá, e mesmo que o fizesse, em uma eventualidade remota, não saberia do que eu estou falando. Esperar por e-mails tem mais ou menos o mesmo teor psicológico de aguardar o resultado de um concurso, com a diferença de que, no caso do e-mail, não se sabe se aquilo pelo que ansiamos sequer chegará. A expectativa é uma das piores sensações que um ser humano pode experimentar. Ela levanta uma barreira que nos separa da tranquilidade, uma barreira que só desmorona quando a expectativa chega ao fim. Não sabemos com certeza o que esperar, apesar de sempre esperarmos, mesmo que em subconsciência, pelo melhor.
Em épocas passadas, esperava-se por uma carta. Hoje, é mais natural, pelo menos para grande parte das pessoas, esperar por um e-mail. As duas comunicações não completamente seguras são iguais no fato de estarem fora do nosso controle: as respostas não são imediatas, e, assim, não sabemos o que pode acontecer com a mensagem ou mesmo se receberemos uma outra mensagem em réplica. Uma ligação telefônica é controlável; uma conversa por e-mail, não. Não sabemos se uma carta chegará, tanto quanto não sabemos se um e-mail será aberto. E se não quiserem abrir? E se tivermos endereçado errado? E se o carteiro morrer? E se a internet cair? Há mais possibilidades de dar errado do que de dar certo. Nunca se sabe. Esperamos pelo melhor e ponto final.
A expectativa é inevitável, e nunca se sabe. O e-mail pode ter chegado enquanto eu escrevo. Por isso as checagens da caixa de entrada a cada vinte minutos. Porque o tempo não para, e, sendo assim, os e-mails também não. O Gmail não tem um horário de fechamento. Checamos de vez em quando e a vida continua. Aliás, é melhor eu checar meus e-mails assim que publicar essa postagem. De repente...
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