E eis que, ao ouvir pela enésima vez o meu progenitor reclamar do meu desligamento integral daquele famoso (risos sarcásticos) blog, eu decidi que o momento era propício para reverter a situação.
Very well. Cheguei em casa um pouco antes do tempo regulamentar, em decorrência de uma cadeia de eventos complexa que teve origem mais ou menos na época em que Judas perdeu as botas. Fiz o que tinha de fazer, etc, sentei na cama, peguei o tablet (isso eu explico depois) e abri o dito cujo. Lê-se, lê-se, e nessa toada se vai até eu terminar de ler o que eu achava - ops, acho - mais razoável ler. Enfim me dirigi até a sala, lidei com um pequeno contratempo, carreguei a bolsa preta até o dormitório, burocracia, burocracia, e aqui estamos nós.
Então você, leitor, que eu imagino ser um ser simplesmente extraordinário por continuar prestando atenção ao meu blog até mesmo agora que os dois ou três leitores que ele costumava ter foram-se embora com as mágoas do passado, me pergunta por onde andei quando você me procurava (sic). A resposta mais crua é: aqui. Nada no contínuo espaço-tempo se interpôs entre este blog e seu autor senão a demasiada preguiça do mesmo de sentar e escrever algo pra variar. Talvez as coisas estivessem melhores se este fosse um emprego remunerado... mas isso não vem ao caso agora. A questão é que eu simplesmente não tive aquele estalo que temos de ter para escrever uma crônica por vontade própria - como se verifica em certas colunas de certos jornais, escrever uma crônica a contragosto quase sempre dá terrivelmente errado - e acabou se formando uma zona de conforto. A minha vida está ótima, tudo bem, tudo bom, agora eu tenho até um tablet; quem precisa daquele blog?
O problema, leitor, é que o blog precisa de mim. E, por mais que eu tentasse fugir da realidade, ele continuava lá, num canto da sala metafórica em que se desenrolava minha (ainda facebookless) vida digital, me encarando com aqueles olhos pidões, pedindo para ser alimentado. Mais ou menos como meu cachorro na hora do almoço.
Ora, houve avanços. Por mais que o meu blog ainda esteja mergulhado em um irremediável anonimato, coisas aconteceram e podem ainda vir a acontecer. As condições astrológicas que me levaram à conquista daquele tal tablet, por exemplo, são por si mesmas vitórias no campo literário. Se o e-mail que estou esperando chegar (não o da crônica 8, que fique claro), tudo pode dar certo. Aconteceu até de um dia desses alguém na Alemanha visualizar meu blog. Quem sabe, então, eu não levo essa coisa pra frente mais um pouquinho? Eu já não sou mais um ser humano multirracial comum de 12 anos. Eu sou agora um ser humano comum de 13 anos, e, conforme fiquei sabendo hoje em Genética, não necessariamente multirracial. É tudo muito subjetivo, sabe?
Não é que eu queira reviver nenhum passado. Mas chega um ponto em que você não aguenta mais o blog te encarando de um lado e aquele livro que você pegou na seção de Contos & Crônicas da Saraiva te induzindo a escrever do outro. Chega um ponto em que você simplesmente senta e escreve algo pra variar. Esse ponto, leitor, calhou de cair hoje, logo depois do feriado, quando todos estão retomando aos poucos a rotina, fazendo mini-recomeços como aqueles que sustentamos por uma semana ou duas depois do Réveillon. Não poderia haver momento mais propício, por conseguinte, para retomar a redação de um blog como este, tão inoportunamente entitulado (alguém faz alguma ideia do significado real de "cronismo"?) e tão modernosamente diagramado, alterar o meu texto de apresentação, corrigir errinhos de ortografia em postagens antigas, comer mais proteína, falar mais com os amigos, terminar uma borracha, fechar os parênteses - em tempo, hopefully, de escrever uma crônica decente para o ano-novo. Muita coisa aconteceu de 14 de abril pra cá. Se eu não registrar tudo como se deve, quem o fará?
O Google, disseram-me, já vem registrando uma boa fração das coisas.
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